22 de junho de 2016

A disputa eleitoral para a Prefeitura de Porto Alegre



A "mão da esquerda"

As eleições municipais para a prefeitura de Porto Alegre, nos últimos anos, foram decididas pela por um diferencial bastante específico: a conquista do voto de esquerda. Se voltarmos quase 30 anos na história de nossa cidade teremos os seguintes prefeitos: Raul Pont (PT), Tarso Genro (PT),  José Fogaça (PPS/ PMDB) e José Fortunati (PDT). 

Mas o que eles têm em comum? Ambos possuem uma identidade, algum tipo de relacionamento passado com a  esquerda.

Tarso Genro e Raul Pont foram eleitos pelo PT (Partido dos Trabalhadores) na ascensão do partido e da esquerda em Porto Alegre. José Fogaça, em 2004, pertencia ao PPS (Partido Popular Socialista), mas também  foi professor de cursinho e o defensor das Diretas Já e José Fortunati, bem, este pertenceu ao PT, inclusive sendo vice-prefeito em 1997 pelo partido. Ambos, de alguma forma, possuem algum tipo de elo com um passado de esquerda e com partidos de esquerda. 

Porto Alegre é um dos maiores berços da esquerda, combinadas com a intervenção de uma visão internacional da utopia do socialismo, sendo um dos colegiados mais expressivos no país. Porto Alegre foi a capital que sediou o Fórum Social Mundial e que por muito tempo foi sinônimo de esperança de tempos melhores, com a filosofia de políticas socialistas que pregavam mais pluralismo, politicas sociais, medidas e participações populares, apelo a práticas mais democráticas e pela luta de direitos de categorias, como por exemplo os professores, com base em uma visão mais revolucionária, propagada na época pelo PT, que já foi considerado o movimento de esquerda mais importante da América Latina.

Pois de fato, até hoje, estes valores e preceitos estão enraizados na cultura da nossa capital. 

Basta observarmos hoje as invasões sistemáticas ao Centro Administrativo, nas Escolas, na Assembleia Legislativa e recentemente na Câmara de Vereadores (ainda ocupada) e outros. Trata-se de uma espécie de “herança sanguínea revolucionária” na qual a cultura da nossa capital absorveu esse tipo de comportamento.

Mas há também outras correntes que decidem em Porto Alegre. Proporcionalmente contrários a esses eleitores estão os eleitores que se opõem totalmente a essa visão esquerdista e revolucionária e que, portanto, votam categórica e radicalmente contrários a essa lógica.

Restando um pequeno espectro eleitoral, uma oscilante fatia de indecisos que migram tanto para direita e para a esquerda, conforme o “andar da carruagem”.

Não estou dizendo que um candidato "anti-esquerda" ou "anti-direita" não seja capaz de conquistar a Prefeitura de Porto Alegre, não é isso. Entretanto, as chances se amplificam, quando há uma combinação de história + discurso + currículo  que seja agregadora, de modo a unir o eleitorado, de esquerda e direita, em uma nova direção. E a história de Porto Alegre confirma isso.


A disputa eleitoral de Porto Alegre

Na disputa eleitoral de Porto Alegre temos os seguintes pré-candidatos e partidos: 

O ex-deputado e ex-secretário de educação do estado Vieira da Cunha (PDT), que certamente é forte candidato (poderia-se dizer o favorito) por seu currículo, experiência e por seu partido ter a identidade que possui em nossa capital. Também pela identidade Brizolista, que acompanha a história do partido e de seus membros e que, portanto, pode vir a fazer diferença. Vieira deverá vir acompanhado de PP como vice;

O atual vice-prefeito Sebastião Melo (PMDB), também forte candidato, que sabidamente possui muita experiência, tanto na Câmara quanto junto a Prefeitura, precisará de muito jogo de cintura na disputa eleitoral, devido ao natural desgaste do governo e os ataques que irá receber ao longo da campanha. Melo virá apoiado pelos partidos que já declararam apoio, PHS, PPS, PSB e PSD, que provavelmente virá de Vice;

Na disputa também temos o deputado estadual Mauricio Dziedricki (PTB), que deverá estabelecer em breve um candidato à vice. O PTB virá com um candidato jovem e cheio de energia que certamente irá fazer barulho;

Também na disputa temos o jovem vereador Rodrigo Maroni (PR), ainda no primeiro mandato, protetor dos animais, que deverá sofrer assédio de diversos partidos, já que o tempo de TV também é recurso de extrema relevante na disputa;

Há, ainda, os pré-candidatos dos deputados federais Nelson Marchezan Júnior (PSDB) e Onyx Lorenzoni (DEM), ambos com um posicionamento bastante parecido (ambos anti-PT), entretanto candidatos distintos, mas com um poder de comunicação excelente e afiado em seus discursos. Ambos já concorreram a prefeitura em outros momentos e podem surpreender. Possuem perfis diferentes e um senso crítico bastante apurado e ideias novas para a cidade;

Marcello Chiodo do (PV) é ex-vereador de Porto Alegre e também concorrerá. É cabeleireiro e presidente do SINCARS (Sindicato dos Cabeleireiros do RS);

Ainda no tabuleiro estão Vera Guasso (PSTU), e Luciana Genro (PSOL), na qual se colocam totalmente contrários as práticas administrativas hoje realizadas na prefeitura. Luciana Genro sempre vem muito bem preparada para a disputa eleitoral, com discurso firme e bastante duro, muito semelhante ao PT no seu começo nos anos 80. Já o PSTU, geralmente, adquire o voto de protesto dos mais radicais de extrema esquerda.

Quanto ao (PC do B), de Manuela D’ávila, esta possivelmente irá se agregar ao ex-deputado Raul Pont (PT), que seria o maior representante da esquerda hoje em nossa capital, pelo seu passado, como deputado e ex-prefeito de Porto Alegre. Ambos são bons debatedores, mas Raul Pont certamente é mais experiente e possui uma representatividade muito forte com aquele eleitor que mencionei acima, identificado com os valores e raízes de esquerda histórica em nossa capital.

Ainda haverá alguns ajustes e modificações neste cenário de articulação política dos partidos, mas em breve teremos a oficialização das candidaturas.

Certamente a conjuntura político nacional, bem como o cenário econômico, as investigações da Lava Jato e demais fatos políticos de nosso cotidianos e desgaste sistêmico da classe política vão refletir nas urnas. 

Os candidatos deverão ter paciência, estar muito bem preparados para enfrentar críticas, bem como ter muita competência para realizar proposições realistas e coerentes com as eminentes necessidades da capital dos gaúchos.

O cenário político atual aponta para a tradicional polarização das candidaturas (direita e esquerda) e, portanto, os partidos deverão se articular no sentido de realizarem uma força de coalizão para o segundo turno, tanto na esquerda quanto na direita, de modo a obter maior força para a conquista do eleitorado. 

Como disse a Esfinge a Édipo: Decifra-me ou devoro-te. Quem decifrar em tempo o enigma da Esfinge poderá estar a frente da Prefeitura de Porto Alegre no ano que vem.  O jogo já começou e a decisão sempre acontece no detalhe. Que vença o melhor para nossa cidade!

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