2 de junho de 2011

BLATTER E O "FIFANIC"


Em meio à polêmica, Joseph Blatter vence eleições e segue no comando da entidade máxima do futebol

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, foi reeleito ontem para um novo mandato que vai durar até 2015. Assim, ele ficará 17 anos à frente da entidade. Sem a presença de Bin Hammam e Jack Warner, ambos membros do Comitê Executivo, suspensos, Blatter foi eleito por grande maioria em votação secreta com 186 votos. Houve um total de 203 votos - o restante foi nulo ou branco.

Sem adiamento

O congresso da Fifa rejeitou ontem a proposta da Federação Inglesa (FA) de adiar a eleição presidencial. A proposta britânica foi rejeitada por 172 votos contrários ao adiamento e 17 favoráveis. O presidente da FA, David Bernstein, pedira o adiamento para dar mais credibilidade ao processo e permitir a candidatura de um dirigente comprometido com a reforma da entidade. "Muitos me disseram que eu não deveria ter tomado tal iniciativa, mas considero que uma eleição com um candidato único como fraudulenta, por isso peço que ele seja adiada", declarou o dirigente no discurso que fez antes da votação.

Logo depois da sua intervenção, Bernstein ouviu muitas vozes contrárias a sua proposta. Um dos dirigentes mais críticos foi Julio Grondona, presidente da Federação Argentina. "Estou um pouco surpreso com o fato de que na maioria dos congressos dos quais participamos, o assunto mais importante tenha sido sempre o das finanças, mas pelo jeito", disse Grondona ironicamente, antes de atacar os britânicos. "Estamos buscando soluções fora do lugar e sempre vem do mesmo lado, da Inglaterra", completou.

Ángel María Villar, presidente da Federação Espanhola também reagiu, criticando não só a Inglaterra, mas também a imprensa que noticiou os recentes escândalos. "Já chega! Nos deixamos guiar por essas pessoas que nos insultam, nos agridem. Qual é o país no mundo que mais se aproveita do futebol? A Inglaterra! A Inglaterra não pode nos distrair", disse Villar.

PROMESSAS

Blatter propõe reformas na escolha dos países sedes

O suíço Joseph Blatter, na expectativa da sua reeleição como presidente da Fifa ontem no congresso eletivo de Zurique, propôs aos representantes das federações nacionais reformas no processo de escolha das sedes das Copas do Mundo. A proposta de Blatter é que a decisão seja tomada pelo congresso da entidade e não mais pelo seu comitê executivo.

"É preciso dar mais poder às associações nacionais e por isso quero que o futuro se decida no congresso da Fifa", disse Blatter. Desta forma, a escolha da sede da Copa do Mundo seria feita não apenas por 24 pessoas (os membros do executivo), mas por 208 (os representantes das 208 federações).

"Crise" na Fifa

Nas últimas semanas, a Fifa vem enfrentando uma série de denúncias e escândalos. O primeiro, as acusações de que quatro membros do comitê executivo da entidade, entre eles o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, teriam pedido favores para a escolha da Copa do Mundo de 2018. As denúncias foram averiguadas e, segundo a Fifa, os envolvidos foram inocentados.

Pouco tempo depois, foi a vez de Mohammed bin Hammam, presidente da Confederação Asiática de Futebol e ex-concorrente à presidência da Fifa, e do presidente da Concacaf e vice da Fifa, Jack Warner, serem acusados de comprarem votos e subornar pessoas para ajudar na campanha de Hammam. Ambos acabaram suspensos pelo comitê de ética da Fifa.

Revoltado com a punição, Warner, que havia prometido dias antes da reunião do comitê revelar um “tsunami” de outros escândalos, disparou denúncias. Primeiro, acusou Blatter de ter feito uma suposta doação de US$ 1 milhão de dólares (R$ 1,6 milhão) à Concacaf para, em troca, receber apoio na sua reeleição. Depois, revelou um e-mail enviado a ele por Jérome Valcke, secretário-geral da Fifa, no qual o dirigente fala que o Qatar comprou o direito de sediar a Copa de 2022.

Valcke negou veementemente as acusações e disse que foi mal interpretado. Blatter, por sua vez, convocou uma coletiva na última segunda-feira e, de forma evasiva, rebateu as denúncias dizendo que a Fifa não estava em crise.

Fonte: Diário Nordeste

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